Família une esforços em profissão e ganha destaque na confeitaria em Ji-Paraná, RO

Em semanas de evento, esposo e filhas se unem e ajudam da massa à colocação da mesa de doces. Há 10 anos em Ji-Paraná, Kassia conta que ajuda de amigos foi muito importante para começar.

Com um trabalho árduo, mas ao mesmo tempo doce, a mineira Kassia Queiroz conta como ela e a família cresceram profissionalmente em Ji-Paraná (RO), cidade situada a cerca de 370 quilômetros de Porto Velho. Além de barista, ela também é confeiteira e fica responsável pelos doces de festas e casamentos. Para conseguir atender a todos os pedidos, o segredo está na união da família, desde a preparação da massa dos docinhos, até a organização da mesa.

Nascida no município de Patrocínio (MG), a relação de Kassia com os tachos de doce começou cedo. A mãe, que também trabalhava com as guloseimas, precisou da mão de obra da filha ainda na infância, para ajudá-la na fabricação. “Minha mãe já me fazia mexer o tacho de cobre desde pequeninha. Mexia bolo, mexia doce“, relembra.

Aos quinze anos, a menina trabalhava meio período em uma empresa e aproveitava o outro turno para fazer bombons e melhorar o que recebia para comprar as próprias coisas. Nesse tempo, a patroa, que também era tia por parte de mãe de Kassia, viu o gosto que a sobrinha tinha pelo negócio e decidiu ajudá-la a melhorar o pequeno negócio que começava.

“Minha tia pagou um curso muito caro para mim, para aprender a manusear chocolate. Aí eu fazia bombons e vendia na firma e no clube de vôlei que eu fazia parte. Assim, eu conseguia comprar as minhas coisas. Meu pai e minha mãe nunca me pediram para ajudar em casa, mas eu queria ter meu dinheirinho”, relembra.

O café também faz parte da vida da empresária desde a infância, mas de uma maneira diferente. No quintal da casa da família, havia pés de café plantados para o consumo familiar. Assim, Kassia aprendeu, na prática. “Era produção própria, para o consumo da gente. Teve uma época que tinha pés de café na horta e a gente fazia colheita, fazia a secagem, torrava e depois moía”, conta.

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 Família toda participa da produção dos doces para festas (Foto: Kassia Queiroz/ Arquivo pessoal)

Mudança para Rondônia

Aos 23 anos, Kassia deixou a cidade natal depois de se casar, e foi com a primeira filha nos braços para São Paulo. Depois, mudaram-se para Cascavel (PR), onde tiveram a segunda filha e por fim, voltou para o estado de Minas Gerais e morou em Uberlândia.

Há dez anos, Kassia, o esposo Cléber e as duas filhas chegaram a Ji-Paraná devido a uma proposta de trabalho recebida pelo marido. A confeiteira conta que demorou a se acostumar com o novo lar. “Eu só chorava, o tempo inteiro, por que eu queria ir embora e eu sabia que meu marido não queria ir”, relembra.

Sem expectativas de continuar em Ji-Paraná com a profissão que deu início no sudeste do país, a de confeiteira, Kassia ainda sonhava em sair de Rondônia e conta que o que a motivou: o apoio dos amigos que fez na cidade.

Barista

Inquieta, a empresária não queria permanecer onde estava como profissional e aproveitou algumas das viagens que fez de férias a Minas Gerais para fazer cursos e voltar a trabalhar com café, mas desta vez, longe das plantas e do processo torra. Kassia decidiu investir na profissão de barista.

Ela fez os cursos iniciais, intermediários e avançados. Mas, mesmo que todas as técnicas estivessem afiadas, um quesito muito importante a deixava com o pé atrás. “Em Ji-Paraná precisava de uma cafeteria, mas eu me preocupava com o clima, é muito quente. Eu tinha a ideia de montar, mas, fiquei com pé atrás”, conta.

Bolos e doces para casamento

Aproveitando o espaço da própria cafeteria, Kassia começou a divulgar também outro talento que estava escondido e quase ninguém conhecia: os bolos e doces para casamentos e eventos em geral.

Kassia decidiu expor os doces, bolos e maquetes que fazia. A cada pessoa que experimentava as guloseimas ou gostava das maquetes de bolo produzidas por ela, um potencial de encomenda surgia. “A pessoa ia lá, comia, gostava e encomendava. Não fiz propaganda, comecei através da cafeteria, por isso que ela é meu xodozinho”, relembra.

Família na cozinha

Kassia conta que já chegou a atender seis eventos em um mesmo fim de semana. Foram 3700 doces, 55 quilos de bolo e 500 bem casados para atender todos os eventos. As funcionárias da cafeteira ajudam com a parte de enrolar os doces boleados. Mas, todos os doces finos, bem casados, bolos e a maquete são feitos pela família. Para conseguir atender toda essa demanda, todo mundo da casa vai para a cozinha para colocar a mão, literalmente, na massa.

Clara, a filha mais velha, trabalha com a mãe desde os 14 anos e ajudou a preparar os doces da própria festa de 15 anos. Hoje, aos 20 anos, é o braço direito da mãe, e conta que mesmo que o trabalho em famílai seja mais complicado, ela gosta da atividade. “Dá aquelas discussõesinhas, mas nada de mais. Eu gosto. Mesmo com muitas noites em claro”, afirma clara.

A Cecília, segunda filha, também não ficou de fora e aos 14 anos ajuda na produção. Nos últimos meses, a família e a equipe ganharam um novo integrante. Aos três meses, Henrico já faz parte das rotinas na madrugada e acompanha toda a produção dos doces. “Ainda está bem complicado, pois ele é muito novinho e não tem uma rotina de horários. Então, preciso ainda mais da ajuda deles até que a gente se adapte. A gente precisa ainda mais trabalhar em família”, conta.

Desafios diários

Kassia lembra que o inicio da carreira foi fazendo a parte de doces de festas de aniversário e explica que o que a impedia de atender a casamentos era o medo. Mas, mesmo com oito anos atendendo a casamentos, esse medo e exigência de não errar não acabaram. “Cada evento para mim é desafiador. Hoje, os bolos de festa de criança são mais difíceis, pois têm muitos detalhes. Muitas vezes eu comprei filmes para assistir e interpretar para conseguir fazer um bolo”, conta.

Permanecer no mercado, segundo Kassia, é muito difícil. A concorrência é muito grande e, para isso, é necessário mostrar o diferencial, seja no bom atendimento e também qualidade de serviço.

“Eu ralo para caramba, é trabalhoso e nem sempre a gente recebe o devido valor, principalmente na área de barista. Mas, eu sou feliz com a minha profissão”, finaliza.

Fonte:

Por Pâmela Fernandes, G1 Ji-Paraná e Região Central

 

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